Este ano, aliás, como nos demais dedicados à docência, não há como fugir, nas aulas, sejam de sociologia ou ciência política, do espinhoso e ao mesmo tempo fascinante mundo da política. A grande dificuldade em se discutir ou provocar o debate sobre o tema depara-se no fato de que, para nós ela já é carregada de uma símbologia negativa, tal como a charge o ilustra acima.
O desafio encontra-se justamente no fato de tentarmos interpretar os fatores que levaram a tal imagem e sem dúvida, a sociedade brasileira nos dá uma aula de como as coisas “chegaram ao pé” onde estão hoje. A cada ano, o desafio que se coloca é despertar, em especial nos alunos mais jovens um espírito de que a política sofre justamente de um mal que nos é muito particular: aqueles que tem os meios para modificá-la e transformá-la renegam participar da mesma, isto é, a política hoje sofre esse impacto negativo justamente pela falta daqueles que mais contribuiriam para dar pleno sentido à ela: mentes críticas, pensantes e com espírito de mudança e transformação. Por isso a política é uma atividade para a qual se pensa não ser necessária nenhuma preparação.

Apenas gostaria de acrescentar que a visão que a população tem da política não é exclusivamente induzida pelos "politicos", mas também pelas instituições cristalizadas em nossa sociedade, as quais são, muitas delas, clientelistas e personalistas.
ResponderExcluirGostaria igualmente de lembrar que a aversão a política não é um fenômeno típicamente brasileiro. Bastamos nos debruçar sobre a obra de Richard Sennet, "o declínio do homem público". Nesta obra o autor apresenta o crescente desinteresse popular, nos EUA, em relação a política e as demais coisas públicas.
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Sim, sim Cristiano sem dúvida. Além das instituições, gosto também de recorrer à Roberto Damatta (Carnavais, Malandros e Heróis), Sérgio Buarque de Holanda (Raízes do Brasil) e a Alberto Carlos de Almeida (A cabeça do Brasileiro) entre outros que mostram que a coisa está enraizada nas pessoas, ou seja, no brasileiro, daí elas serem um reflexo disso pelas instituições sociais, como nos diz o velho Durkheim. Creio que devemos fazer a crítica levando em conta nosso contexto, mas infelizmente o sentimento é mundial. Não li o livro do Sennet, mas a discussão é ótima. Ficará na minha lista de futuras leituras. Obrigada pelo comentário. Só vi hoje... Abraços
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